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Projeto da Etec contribui para inclusão de pessoas com deficiência auditiva

Situação real inspirou estudantes da Escola Técnica Takashi Morita a criar a Luva Tradutora de Libras; projeto de alunos do curso de Eletrônica foi premiado na 16ª Feteps

12 de janeiro de 2026 10:20 am Projetos

A partir da esq.: Talita, Iara, Rafael e Ashiley, do grupo de TCC do M-Tec em Eletrônica que criou projeto premiado l Foto: Roberto Sungi

Pensado inicialmente como Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), o projeto Luva Tradutora de Libras, dos alunos da Escola Técnica Estadual (Etec) Takashi Morita, localizada na zona sul da Capital, conquistou a décima colocação na Feira Tecnológica do Centro Paula Souza (Feteps) de 2025.

A ideia do projeto nasceu a partir da observação de Iara dos Santos, uma das integrantes do grupo, que tem um primo com deficiência auditiva. Ao contar sobre a exclusão social que pessoas semelhantes a ele enfrentam no dia a dia pela dificuldade de comunicação, os demais estudantes de sua equipe do Ensino Médio Integrado ao Técnico (M-Tec) em Eletrônica – Talita Ferreira, Ashiley Simões e Rafael Coelho Bastos – toparam o desafio de criar uma proposta para mudar essa realidade.

Definido o tema do trabalho, os jovens passaram a se reunir para estudar como criar um equipamento que permitisse converter gestos da Língua Brasileira de Sinais (Libras) em texto escrito ou falado, visando promover a comunicação entre as pessoas semelhantes ao primo de Iara, sem precisar de um intérprete.

“No início deste ano, tivemos os primeiros encontros para analisar como viabilizar a ideia”, lembra Talita. Os estudos avançavam sob a orientação do professor Marcos da Silva. As reuniões ocorriam nas salas de aula, nos laboratórios, no refeitório, na hora do almoço, e até mesmo na casa das integrantes da equipe, durante as férias de julho.

Desenvolvimento dos códigos

Na volta às aulas, no segundo semestre, veio a surpresa: o projeto tinha sido classificado para a 16ª edição da Feteps, graças à iniciativa do orientador para a inscrição. “Quando o email da aprovação chegou, a corrida acelerou, para concluirmos as etapas de montagem do protótipo”, relembra Ashiley. “Gastamos a maior parte do tempo no desenvolvimento dos códigos para fazer com precisão a tradução dos sinais de Libras para texto ou áudio”, conta Iara. Segundo ela, seu primo que mora em outro Estado está curioso para experimentar a tecnologia na prática.

A luva criada pelas alunas da Escola Técnica do CPS traz sensores de movimento e flexão distribuídos nos dedos e na palma da mão, que captam os sinais. De acordo com Talita, os dados são processados por um microcontrolador, que utiliza algoritmos de aprendizado de máquina para convertê-los em linguagem falada ou escrita, que é transmitida em um dispositivo conectado, como um celular ou tablet.

Passados dois meses da premiação, os jovens ainda contam com emoção como foi a participação na Feira Tecnológica do CPS. “Apresentar nosso projeto foi viver algo especial”, diz Ashiley. “Ao ouvir as perguntas e ver o interesse das pessoas, sentimos que nosso trabalho foi valorizado. Era a prova de que toda dedicação valeu a pena”, complementa. “Os palestrantes disseram que somos os protagonistas de uma nova geração de inovação. Foi exatamente assim que nos sentimos”, relata Iara. E a premiação endossou o êxito do projeto, que surgiu como TCC e obteve reconhecimento e destaque na Feteps, graças à dedicação da turma do M-Tec em Eletrônica da Etec Takashi Morita.

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