Com inovação e criatividade, os alunos das Etecs desenvolvem soluções sustentáveis para temas como degradação ambiental, Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODSs) e Agenda 2030
Meliponário da Etec Paulistano, na Capital, é um dos exemplos de projetos de caráter ambiental do CPS | Foto: Divulgação
Na semana que se inicia oficialmente a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2025, a COP 30, o País acompanha os debates e se mobiliza para conhecer as novas políticas e diretrizes que surgirão desse encontro.
Os temas da COP 30 estão na agenda do ensino profissionalizante das Escolas Técnicas Estaduais (Etecs) que levam o debate ambiental para a sala de aula e incentivam projetos acadêmicos voltados à sustentabilidade.
Com a oferta de cursos como Meio Ambiente, Agroecologia, Florestas, Gestão de Energia, Sistemas de Energia Renovável, Gestão Ambiental e Agronegócio, as Etecs formam profissionais conectados à agenda ambiental e preparados para uma carreira voltada aos desafios de combate aos efeitos das mudanças climáticas.
Uma novidade deste ano foi o início da primeira turma do curso de Defesa Civil, na Etec Vasco Antonio Venchiarutti, de Jundiaí. Resultado da parceria do Centro Paula Souza (CPS) com a Defesa Civil do Estado de São Paulo, o curso forma a primeira turma em 2026.
Para o coordenador de formulação e análise curriculares, Hugo Oliveira, esse é um exemplo de como as parcerias públicas e privadas são estratégicas para a qualidade do ensino profissionalizante: “O curso de Defesa Civil foi uma resposta ao aumento dos desastres naturais e à necessidade urgente de formar técnicos especializados no monitoramento dos fenômenos climáticos, na redução de riscos e na orientação à população”, analisa.
O CPS atua em várias frentes da Agenda 2030 e dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, desde 2015. O objetivo é manter o foco em educação ambiental, com trabalhos pedagógicos capazes de incentivar as boas práticas de preservação e de combate à crise climática. “Nossa proposta é criar um ambiente propositivo na escola, para que os estudantes pesquisem e estudem, combinando ciência e cidadania na busca de soluções para as emergências ambientais que estamos enfrentando”, afirma a superintendente de projetos pedagógicos, Lucília Guerra.
Projetos e soluções
Nesse ambiente educacional propositivo, os alunos das Etecs são desafiados a pensar e propor possíveis soluções para os problemas ambientais da sua comunidade.
Na Etec de Itanhaém, localizada no litoral sul do Estado de São Paulo, um bioma importante por sua biodiversidade, os alunos desenvolveram projetos para reduzir os efeitos da degradação da natureza.
O projeto Arthropoda, por exemplo, propõe o uso de borboletas como bioindicadores dos níveis de degradação de cada região. As borboletas são capturadas e como algumas espécies só aparecem em locais mais preservados, é possível mapear os níveis de degradação de cada área e identificar aquelas que demandam com mais urgência o manejo florestal e o aumento de cobertura verde.
Na mesma região, o papagaio-de-cara-roxa – espécie endêmica das restingas e estuários do litoral sul de São Paulo e norte do Paraná – inspirou os alunos a desenvolverem um projeto para construção de uma rota de observação da natureza, usando o papagaio-de-cara-roxa como uma espécie “bandeira”, pela preservação da região.
A proposta é construir na rota um portal e outdoors para exposição e distribuição de folders de educação ambiental. E, por meio da informação, mobilizar a população e os turistas sobre os riscos do desmatamento e o seu impacto sobre o clima.
Outra guardiã da natureza, a abelha mandaçaia, também inspirou os alunos da Etec Paulistano, na Capital, a desenvolveram um projeto de resgate da flora nativa, no entorno da Etec. A espécie mandaçaia (nome popular da melipona mandacaia) não possui ferrão e tem um comportamento bastante social formando colônias para polinizarem e recuperarem a flora.
O trabalho dos alunos da Etec Paulistano envolveu a instalação de um meliponário na própria escola, para que as abelhas criassem uma rede de polinizadores para recuperar a biodiversidade local que ainda apresenta vestígios de Mata Atlântica.
Outro pilar importante nos cursos voltados à sustentabilidade é a metodologia e nada melhor que uma ferramenta lúdica, como os games, para engajar os alunos. Essa foi a proposta dos alunos da Etec Pedro Badran, de São Joaquim da Barra, que apostaram numa plataforma de games para abordar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU e a Agenda 2030 da ONU. Cada ODS inspirou um jogo específico, que pode ser jogado em diferentes disciplinas e por outras turmas também.
Com metodologia, empatia e criatividade, as Etecs estão fazendo a lição de casa de formar cidadãos críticos e sensíveis aos problemas ambientais que podem contribuir para um futuro mais sustentável.